haruyoshi Ono

Quem conheceu Haruyoshi Ono sabe que para além da aparência oriental e postura zen, se encontrava o artista dedicado, generoso e vibrante. Haru, como era carinhosamente chamado pelos mais próximos, era uma pessoa e um profissional como poucos. Apaixonado e apaixonante. Interagia com todos de maneira singular, compartilhando conhecimento, contando de maneira tímida suas histórias, valorizando a arte e a obra, e não o artista.

Talvez por isso, Roberto Burle Marx tenha encontrado nele o parceiro ideal para suas criações. Em 1965, ao passar na frente do canteiro de obras do futuro Parque do Flamengo, Haru se deparou com a placa do Escritório de Paisagismo Roberto Burle Marx. Foi até lá e se ofereceu para trabalhar como estagiário. De estagiário tornou-se profissional, amigo, sócio e parceiro criativo ao longo de quase 30 anos de convivência diária.

Desta sociedade nasceram importantes trabalhos que hoje são parte da história do Paisagismo brasileiro como o famoso calçadão da Avenida Atlântica em Copacabana, o Parque da Cidade de Brasília, a Fazenda Vargem Grande em Areias-SP, o Parque das Mangabeiras em Belo Horizonte e o KLCC Park na Malásia.

Haruyoshi faleceu no dia 21 de janeiro deste ano. Perpetuou o legado artístico paisagista de Roberto Burle Marx, tendo sido responsável pelo Escritório de Paisagismo e seu acervo por mais de 20 anos após a morte de Roberto. Seu trabalho, assim como do metre, é um exemplo de coerência e conexão com a arte, o belo e a natureza.